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História e Cultura >> Cacau
Em 1746, as primeiras sementes de cacau, árvore nativa da Amazônia, chegaram à Bahia, sendo o primeiro cacaueiro plantado na fazenda Cubículo, no atual município de Canavieiras. O introdutor de cacau na capitania foi o português Antônio Dias Ribeiro, com sementes trazidas do Pará pelo francês Louis Frederic Warneau. Em 1754, após sucessivos donatários e em quase completo abandono a capitania voltou a pertencer à coroa portuguesa.
A cultura do cacau, vocação e identidade da região, se alastraria pelas margens dos caminhos fluviais, subiria as encostas dos morros, invadiria as matas e gradativamente assumiria o lugar da cana-de-açúcar. Com o plantio das árvores dos frutos de ouro principia uma nova era: a civilização do cacau. No século XIX, os coronéis do cacau tomam o lugar que antes pertencera aos senhores de engenho. Contingentes de desbravadores de terra penetram pela inóspita e exuberante Mata Atlântica e abre suas “roças” à sombra de jacarandás, vinháticos, cedros, pitiás, ipês, maçarandubas, paus-d’arco, sucupiras, paus-brasis, num sistema de plantio que ficaria conhecido com o nome de cabruca. A conquista das máquinas, todavia, não se daria de modo pacífico. Houve lutas violentas pela expropriação da terra. Essa saga dos coronéis do início de século foi imortalizada em uma vasta literatura cujo maior expoente é o maior romancista Jorge Amado, o escritor brasileiro de maior ressonância internacional. Cacau (1933), Terras do Sem Fim (1941) e São Jorge dos Ilhéus (1944) compõe uma trilogia das lutas sangrentas pela posse das matas e pelo domínio da terra para o plantio dos cacauais.
No final o século XIX, quando o cacau já engrandecia a economia da região, a antiga vila-sede de São Jorge dos Ilhéus foi elevada à categoria de cidade – Ilhéus – por determinação da Assembléia Legislativa Provincial, em 28 de junho de 1881.
Ilhéus se torna uma cidade rica e orgulhosa, a “Princesa do Sul”. As casas dos coronéis erguidas nas avenidas à beira-mar são, na verdade, palacetes neoclássicos; um deles, era a cópia do Palácio do Catete, antiga residência presidencial no Rio de Janeiro.
No mesmo local de uma ermida do século XVI, os coronéis do cacau mandam erguer a catedral de São Sebastião , com suas colunas gregas e abóbodas romanas; constrói-se o Palácio Marquês de Paranaguá, sede do poder municipal; monumentos embelezam as praças; inaugura-se o Teatro Municipal, a igreja de Nossa Senhora de Lourdes é construída no mesmo local onde foi erguida a capela de taipa consagrada a São Sebastião, na fundação da vila. A cidade sustentada pela maior produção de cacau no mundo, irá figurar, na maior parte do século XX, entre as mais ricas do país. Esse cenário foi o pano de fundo para uma história de amor, entre uma mulata e um árabe – Gabriela e Nacib – no romance Gabriela Cravo e Canela (1958), o livro mais popular, o mais lido, do escritor Jorge Amado.
Hoje, são as praias, ilhas parques, lagoas e rios que atraem os turistas e movimentam a economia dos municípios de Itacaré, Canavieiras, Ilhéus, Itabuna, Santa Luzia, Una e Uruçuca. As Unidades de Conservação preservam manguezais, restingas e, principalmente, a parcela mais significativa de Mata Atlântica do nordeste brasileiro.
História de Ilhéus - Maria Luíza Heine
A QUEDA DO CACAU
Jorge Amado, o maior autor brasileiro, traduzido em mais de cem idiomas, fez romances sobre esta cultura : CACAU, Terras do Sem Fim, Gabriela....romances que traduzem com a exatidão de crônicas os conflitos, costumes e geografia da região cacaueira da Bahia.
As oligarquias desaparecem e os latifúndios, por motivo de herança ou econômicos, se dividem em fazendas organizadas a partir da revolução de 1930.
Em 1931, um marco no desenvolvimento da cultura: cria-se o Instituto de Cacau da Bahia. Em março de 1941, ele é transformado em autarquia. Em 1957 institui-se a Comissão Executiva do Plano de Recuperação Econômico-Rural da Lavoura Cacaueira (Ceplac), com seu Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec) e seu Departamento de Extensão (Depex).
Em 1989 surge o primeiro caso de "Vassoura de Bruxa" , doença causada por uma fungo que se abateu como uma praga bíblica sobre os produtores.
As fazendas caíram cerca de 80% de sua produção em menos de 3 anos.
A rapidez da queda de produção foi tão grande que em 1993, apenas quatro anos depois do primeiro caso da doença na Bahia, a Rede Globo lançava a novela Renascer que tratava da decadência da cultura do cacau pela doença.
Desde então uma população estimada em 3 milhões de pessoas passa por um forte desequilíbrio econômico e social.
Em 1995 começa a se desenvolver a técnica da enxertia com espécies resistentes a doença, na enxertia se aproveita apenas as raízes da planta doente, quando o enxerto "pega" , corta-se o tronco antigo e surge uma nova planta.
Essa técnica apesar de ter dado grandes esperanças não trouxe o " Renascer " esperado pelo produtor, até porque o problema dos preços tem se agravado, com oscilações absurdas (queda real de 60,00 % no período 2003 - 2005 ).
Essas oscilações são em grande parte, fruto das exportações com alíquota 0,00% do cacau que vem da África com baixa qualidade e principalmente alto custo social.
1. Industrialização extremamente tardia dos produtores rurais (se iniciando agora) - Se houvesse agro-indústrias chocolateiras nacionais, não haveria o cartel chocolateiro internacional forçando o preço do CACAU para baixo;
2. Visão míope dos produtores em relação ao seu verdadeiro cliente, durante 150 anos os produtores "aceitaram " que seu único cliente era a " BOLSA DE LONDRES ",
3. Não se perceberem como parceiros dos países Africanos para melhoria das condições sociais deste segmento na Costa do Marfim e Gana (70% da produção mundial).
Com essa conjuntura é natural que que os produtores fiquem com apenas 3% dos 80 bilhões de dólares movimentados pela indústria chocolateira no mundo.
TERRA DO CACAU
Na terra do cacau, um dos maiores atrativos é conhecer como funciona a produção do chocolate, desde os cuidados com a lavoura até a total industrialização do fruto e seus produtos. Todo o processo pode ser acompanhado pelos turistas que visitam o Ceplac, Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, um órgão federal vinculado ao Ministério da Agricultura que existe desde 1957.
O objetivo do Ceplac é fomentar a pesquisa para combater as pragas do cacaueiro e, por causa das descobertas da instituição, os produtores de cacau conseguiram controlar a Vassoura de Bruxa, uma doença que atacou os cacaueiros em 1989.
O visitante que chega hoje ao Departamento de Relações Públicas do Ceplac primeiro assiste a um filme, onde são mostradas as diversas fases da produção do chocolate. Depois de tomarem bebidas preparadas com cacau, os turistas partem então para a visitação.
Na primeira parada, os turistas ficam sabendo como são produzidos os cacaueiros resistentes à Vassoura de Bruxa. As plantas que não foram atingidas pela praga são usadas para criar os "clones". São feitos enxertos nas árvores doentes através de pequenos galhos, as gemas, que são retirados da casca das árvores saudáveis.
O enxerto não altera a qualidade ou a produtividade da planta. Ao contrário, até melhora seu desenvolvimento, pois as mudas sadias demoram menos tempo para crescer e levam apenas um ano para começar a produzir, quando é comum levarem em média três anos.
A produção do chocolate tem início ainda na roça. O cacau é quebrado e as amêndoas úmidas vão para um coxo de fermentação. Esse processo é necessário para dar aroma e sabor ao chocolate antes da secagem. Depois, as amêndoas vão para as barcaças, onde permanecem secando.
Barcaça é o nome dado a enormes estruturas de metal, que cobrem as amêndoas que ficam espalhadas sobre uma superfície de madeira. Durante o dia, as barcaças são abertas para que elas possam secar ao sol, enquanto os lavradores revolvem as amêndoas com os pés. À noite, as estruturas de metal voltam a cobrir as sementes para protegê-las do sereno.
Quando a semente está bem seca, elas são trituradas e colocadas em uma máquina, em que é produzida uma massa chamada liquor. Em seguida, o liquor é colocado em uma máquina aquecida, onde a manteiga de cacau é separada do resto da substância. A manteiga de cacau é uma das partes mais nobres do fruto, usada pela indústria cosmética e para a fabricação do chocolate branco.
Na fábrica do Ceplac, o turista vê de perto como é produzido o chocolate que é comercializado. A massa é batida com leite e açúcar, além de outros ingredientes, entre eles a gordura hidrogenada. O chocolate do Ceplac possui o equivalente a 56% de cacau a cada 100 gramas, enquanto o produto tradicional vendido por grandes empresas possui no máximo 6% de cacau. O resto é gordura hidrogenada, que funciona como um conservante natural.
O cacau é vendido por arrobas e cada medida possui 15 quilos. Em média, quatro arrobas de cacau custam R$ 250,00. O fazendeiro de cacau vende apenas as amêndoas, mas a proposta do Ceplac é justamente orientar os produtores para que avancem no processo de industrialização, já que o preço do chocolate puro é bem maior.