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O JANGADEIRO

Devido à simplicidade de construção, resistência ao mar e facilidade de ir mar a dentro e voltar – em função do uso das velas; a jangada há muito tempo faz parte da vida dos pescadores do Nordeste brasileiro. Criada na época que ainda não havia equipamentos e ferramentas para a construção de embarcações mais sofisticadas, a jangada foi, e continua sendo, muito importante nas regiões mais isoladas do litoral brasileiro.

Embarcação de fácil construção, a jangada não requer nenhuma tecnologia mais apurada. Feita de pau a pique, a madeira é cortada co 6 a 7 metros de comprimento, descascada e colocada para secar. Depois fura-se os troncos, 6 árvores de comprimento de 6 a 7 metros. O pano utilizado para fazer as velas é o mesmo que usa-se para fazer a cangalha e sela.

A vida de jangadeiro é uma tradição que passa de geração a geração. Um exemplo disto é o caso do Sr. Antônio, jangadeiro de serra Grande: - “O mar é minha vida. Gosto muito de pescar. Eu e o Sr. Raimundo somos os únicos que fabricamos jangadas aqui em Serra Grande. Eu mesmo aprendi com ele. Comecei quando garotinho a pescar mais ele”.

Muitas vezes é difícil compreender a ralação de amor e lealdade do jangadeiro para com o mar – vida dura, cheia de desafios e perigos. Mesmo assim, dificilmente o jangadeiro troca sua profissão por outra. Sempre dependendo do “amigo” vento que leva ao mar e traz de volta à terra sua jangada, é também ele, o vento, maior temor dos jangadeiros: - “Uma vez, nós estávamos no pesqueiro quando começou a soprar um vento muito forte, tanto que estourou a vela. Aí começamos a remar com força em direção à terra para não sermos arrastados para o alto mar. Mesmo assim, o vento nos arrastou e fomos parar em Itacarezinho, enquanto outros colegas terminaram perdendo suas jangadas”. Segundo outro jangadeiro, o Sr. Batista, o medo do vento quebrar a vela ou virar a jangada em alto mar sempre é assustador. Em condições de vento forte o mar fica muito agitado e estando longe da costa, sem conseguir desvirar a jangada, a tragédia pode ser bem maior.

Além dos sustos com os ventos fortes, existem outros. Nem parece realidade, mas nos meses de julho e agosto as baleias começam a chegar na região, e causam muita apreensão entre os jangadeiros. – “Às vezes elas passam muito perto da gente, dando pulos fora d’água, acompanhadas pelo filhote. Estes animais ficam brincando e como são grandes demais, às vezes é perigosos para a gente. Quando vemos que as baleias estão vindo em nossa direção temos que levantar a âncora e rapidamente dar o fora da sua rota, porque ela não desvia nem um pouquinho da gente.”

A jornada do jangadeiro começa bem antes do sol nascer. Ainda no escuro saem de suas casas em direção ao mar para preparar a tralha e a jangada, pois precisam sair com o vento terral que sopra continente para o mar, empurrando as jangadas mar a dentro até atingir os pesqueiros. Após passarem muitas horas no mar os jangadeiros retornam à tarde pelo vento que sopra do mar para o continente.

Na APA Itacaré/Serra Grande existem dois pontos bastante tradicionais de jangadeiros : a praia do Pé-de-Serra, próxima à Vila de Serra Grande e a praia de Itacarezinho. Além de representar uma importante atividade econômica para as famílias que dependem da pesca, as jangadas e os jangadeiros são elementos culturais bastante importantes, pois são resquícios de uma tradição que foi muito forte no litoral do Nordeste e atualmente está em vias de extinção. Preservar esta cultura representa oferecer uma opção a mais para os turistas que visitam a região.

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