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Amuleto da Prosperidade

O EX – IMPÉRIO

“Prosperidade e muuuito dinheiro”. É o que promete um saquinho com um amuleto em forma de fruto do cacau, distribuído numa das lojas de artesanato de Ilhéus, a maior cidade do Sul da Bahia, na região conhecida como a Costa do Cacau. Chamado de fruto de ouro, o cacau fez fortunas incalculáveis no século passado, criando uma casta de coronéis abonadissimos, que mandavam e desmandavam na região. Na verdade, desmandavam muito mais, porque para eles era Deus no céu e o tal do “coroné” na terra, e não havia lei que não fosse a deles. Ou seja, um desmando só. É bem verdade que coronéis não foram exclusivos de Ilhéus, a ainda hoje, muitos deles cometem desatinos coronelistícos por esse Brasil afora.

Mas os de Ilhéus foram especiais, uma linhagem que marcou época, armados com aquilo que sempre imperou: o poder do dinheiro nisso. O ápice dessa época, do “ouro branco”, foi a década de 1920, quando a cidade ganhou o posto de maior produtor mundial da fruta. Os calhambeques importados pelos coronéis passaram a disputar a poeira com carroças pelas ruas de Ilhéus. E mesmo no calor infernal da região, as mulheres das famílias entupidas do cacau usavam estolas de pele importadas da Europa, numa breguice que faria o Sidney Magal morrer de inveja.

Há histórias muito curiosas, como a do Coronel Misael Tavares, que chegou a ser maior produtor individual de cacau do mundo. Lá pela década de 1920, no casamento de uma das filhas, ele ficou incomodado com o revestimento de pedras da rua Antonio Lavigne de Lemos, que conduzia à Igreja São Jorge dos Ilhéus. Como a noiva fazia parte do caminho a pé, ele mandou revestir três quarteirões da rua com um paralelepípedo azul-cobalto, que veio como lastro de um navio estrangeiro. Sua explicação foi simples: era para sua filha não sujar o vestido. E foi um trabalho muito bem feito. Até hoje que passa pela rua vê as pedras, cuidadosamente cortadas e calçadas. A cor ainda chama a atenção, principalmente quando reflete o sol.

Toda essa pompa foi declinando com os anos, mas o baque maior veio no ano de 1980, com a chegada da praga vassoura –de – bruxa, que arruinou em poucos meses todas as plantações da região. A própria Ilhéus sofreu um revés imenso em sua economia e não foram poucos os casos de suicídio de pessoas que viram a riqueza desaparecer num piscar de olhos.

Atualmente, as lavouras de cacau começam a reaparecer, depois que os produtores descobriram uma espécie de enxerto que torna o cacauzeiro mais resistente à praga. É pouco provável que os tais coronéis também ressurjam com a força de antes e por isso Ilhéus e região, a Costa do Cacau, buscam fontes de renda alternativas, como a industria do turismo. E atrativos não faltam para isso.

Basta citar o histórico Bar Vesúvio (ainda em funcionamento) e o cabaré Bataclan, que fizeram a festa do escritor Jorge Amado, no livro e depois novela Gabriela Cravo e Canela. O Bataclan virou ruínas com o passar do tempo e chegou a abrigar população de rua. Foi restaurado há poucos anos e hoje funciona como centro cultural e um pequeno museu.

Matéria do CORREIO BRASILIENSE
http://www.correioweb.com.br/ - 31/08/2005

 

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